Conforme os dias passam, fico sabendo de algum companheiro que passou pelo programa de recuperação como eu (alguns comigo) e, pelo excesso de confiança, fraqueza, auto-engano ou qualquer outro motivo, levou-o a droga novamente. Espanto-me com alguns nomes. Inicialmente custo acreditar, mas os fatos fazem com que eu venha crer que a recaída está à frente de qualquer um que deixe o desleixo sobressair à seriedade da prática do programa de doze passos que nos conduz a uma batalha diária de uma vida nova e constante relacionamento com nosso poder superior, através da meditação, oração, honestidade , dignidade, humildade, amor próprio e ao próximo. Caso contrario, torna-se evidente que os nossos defeitos de caráter minaram nossa determinação e nos levaram mais uma vez aos prazeres carnais enganativos que as drogas e o mundo nos proporcionam.
Posso afirmar , em cima de minha própria experiência de recaída, que essa nos torna mais indiferente do que anteriormente e o processo se descandeia com uma velocidade muito maior e em pouco tempo estaremos derrotados novamente. Não acredito que isso significa que não absorvemos nada do conteúdo do programa e sim que nos faltou alguma base deste programa que se solidifica sob espiritualidade, trabalho, conscientização e principalmente honestidade.
Uma vez desencadeada a farmacodependência ou alcoolismo, mesmo que inicialmente não estejamos no fundo do poço, torna-se difícil para retornar e identificar esta falta, pois a cada "bola", "cheirada", "picada", ou "gole" fechamos mais um elo da corrente que nos torna incapaz de pensar, raciocinar. Diluindo nossa serenidade e afugentando nossa espiritualidade, nos transformando em escravos de nosso defeito de caráter.
Pode ser possível reverter essa situação quando nos colidimos com o nosso fundo de poço, ou seja o fim dos nossos próprios limites de animais; roubados da razão pelas drogas e movido pela emoção e reação a estímulos exterior.
O sofrimento nos toca e a mudança se torna evidencia para uma vida nova.
Estamos desacreditados, desmoralizados, machucados e precisamos
nos apoiar em pessoas fortes, que nos ajude a tomar o rumo certo tratando-nos com dignidade e amor exigente.
Não importa a recaída e sim essa nova oportunidade de vida. Devemos procurar nos reforçar naquilo que nos faltou: espiritualidade, conscientização, trabalho honestidade, conforme entramos no processo de recuperação, um quarto passo honesto, uma partilha de sentimentos ou mesmo um exame de consciência acusará estas faltas, dando-nos a oportunidade de nos conscientizarmos daquilo que nos desequilibrou.
A recaída para mim foi um recado da vida.
"Não existe meio termo, e melhore a sua conduta, que eu ajudo-lhe melhorar sua vida."